ARQUIVO GERAL

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Um resgate do passado em Sorocaba
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Com a completa destruição da fachada feita em taipa de pilão na avenida São Paulo, perde-se um dos poucos resquícios herdados da época do Tropeirismo em Sorocaba. O imóvel, construído no século 19 e contemporâneo à época das feiras de muares, chegou a receber recomendação de tombamento por meio de resolução do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico. Ainda assim, a residência de valor histórico, cultural e arquitetônico sofreu a deterioração do tempo e de uma demolição no ano de 2002. Além do piso, quase todas as paredes internas foram retiradas, assim como parte do madeiramento que compunha a estrutura do telhado. Após a intervenção, sobrou apenas a fachada, que passou a representar um risco aos pedestres. Na época, o advogado da proprietária que herdou a casa afirmou que funcionários flagrados na casa estavam apenas retirando escombros de um desabamento. A Prefeitura impediu qualquer obra no local e o Ministério Público chegou a abrir um inquérito para apurar o caso. Finalmente, no dia 19 de janeiro deste ano, quase metade da fachada caiu após uma forte chuva. O restante da parede foi demolido pela própria Prefeitura, apagando-se mais uma página da história da cidade.

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Em janeiro de 1989, Antonio Carlos Pannunzio tomava posse de seu primeiro mandato como prefeito de Sorocaba. Em um discurso emocionado, o chefe do executivo elogiou seu antecessor Paulo Mendes e assumiu dois compromissos: a solução urgente para o problema do transporte coletivo na cidade e a retomada do desenvolvimento industrial. O novo prefeito chorou durante sua fala e se comprometeu a buscar o progresso, justiça e a paz social enquanto estivesse no cargo. Também aproveitou para declarar que teria de “administrar a escassez”, se referindo à diferença entre as necessidades da população e o orçamento do município. Suas primeiras decisões visavam a contenção de despesas: no mesmo dia de sua posse, determinou que o uso dos carros oficiais ficasse restrito ao desempenho do serviço do governo. Aos secretários, determinou que aproveitassem ao máximo o trabalho dos servidores, que deveriam cumprir rigorosamente os horários de serviço. Veja como foi:

Pannunzio inicia governo com contanção de gastos
Pannunzio já restringe uso de carros oficiais

... Em 1913, a Companhia Nacional de Estamparia (Cianê) construiu a fábrica Santo Antônio (rua Comendador Oeterer), ao lado da já existente fábrica de tecidos Nossa Senhora da Ponte, construída em 1881 na rua Francisco Scarpa, centro de Sorocaba. Na época, a cidade passou a ser chamada de “Manchester Paulista”, em referência à cidade inglesa de Manchester, famosa na confecção de tecidos. (Foto: Zaqueu Proença)

Saiba mais sobre a história dos edifícios

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No ano de 1986, homens, mulheres, adolescentes e até uma criança foram recrutados para atuar como Papais Noéis na região do comércio do centro de Sorocaba. Apesar de um pouco excêntricos, alguns magros ou de voz feminina, os bons velhinhos conseguiam atrair a atenção das crianças, que se aproximavam para pedir uma bala e fazer pedidos de presentes. Para quem vestiu a fantasia, conforme a reportagem publicada na época, ser Papai-Noel significou ter uma oportunidade de trabalho, orgulho ou realização pessoal. (Foto: Aldo V. Silva)

Confira a reportagem da época: Quem é papai Noel?

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O jornalista Joelmir Beting esteve ao menos cinco vezes em Sorocaba. A foto é de uma palestra apresentada em 1974, na Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas de Sorocaba, que mais tarde se transformou na Universidade de Sorocaba (Uniso). Suas passagens pela cidade foram lembradas por seu bom humor e por sua marca registrada: explanar sobre assuntos complexos de forma simples. Em julho de 1982 o Cruzeiro do Sul passou a publicar seus artigos. Suas análises podiam ser lidas diariamente, até o 2004, quando encerrou a coluna.

Joelmir Beting: Real Salvou o emprego
Irônico e bem humorado, Joelmir Beting

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Na década de 70, Sorocaba sediava o Festival Regional de Música Popular Brasileira do Recreativo. Desses festivais participavam compositores como Miltom Carlos, Sérgio Sá, Isolda, Genésio Sampaio, Ardélio Del Cistia, entre outros. “O número de músicas superava a marca de mil inscrições e vinha de todos os cantos do Brasil. O primeiro lugar recebia um carro 0 km”, lembra o produtor cultural João Caramez, em reportagem publicada em junho de 2012 no Cruzeiro do Sul. cantor e compositor que também participava daqueles eventos musicais. Caramez é um dos idealizadores do Prêmio Sorocaba de Música e o fez com o intuito de ser mais abrangente, não ficando restrito apenas a um estilo musical.

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Reportagem publicada no dia 13 de maio de 1976 contava a história da ex-escrava Maria José Fernandes Leite. Com então 98 anos, se emocionou ao falar de sua família e do passado, marcado pela escravidão na infância, quando também se casou, aos 11 anos. Jamais se separou da enxada, instrumento do trabalho da época em que os negros foram libertos e largados à própria sorte. Em sua casa, no alto da rua Comendador Hermelino Matarazzo, mantinha uma rotina rigorosa de cuidados com a terra. Trabalhar, afinal, era tudo quanto sabia fazer.

Confira a reportagem no acervo:

Há 88 anos, Maria José deixava de ser escrava. Ela ainda trabalha. Só tem uma diferença: é livre

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O final dos anos 70 foi marcado pela disco music e o surgimento de discotecas em todo o mundo. “Os Embalos de Sábado à Noite”, filme estrelado por John Travolta e a novela “Dancin’ Days”, traduziam o momento vivido pela juventude daquela época. Em Sorocaba não foi diferente. A maior parte das casas existentes na cidade conheceu a glória e a decadência em poucos meses. As opções mais conhecidas eram a Voyage, Zeppelin, Zarabatana e Estúdio 1000. A Zarabatana, a mais sofisticada - como nos filmes, tinha até pista com chão iluminado -, funcionava na rua Arthur Gomes e fechou as portas no vermelho. Em 1980, um dos rapazes que se envolveu numa briga, momentos após de sair da casa noturna, morreu ao receber uma paulada. O episódio deixou as noites menos badaladas e, de certo modo, contribuiu para o fim da época de ouro na cidade.

Cidade ganha uma nova discoteque
Zarabatana em noite de inauguração

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O ano de 1983 começou e terminou com chuvas devastadoras em Sorocaba. A imagem, registrada pelo fotógrafo José Roberto Pinto, do Cruzeiro do Sul, mostra o prefeito Flávio Chaves (centro) ao lado do secretário de Governo (esquerda), Paulo Mendes. Quando tentavam passar pela avenida XV de

agosto, para avaliar os estragos no Retiro São João, o veículo onde estavam ficou parado no alagamento, obrigando a refugiarem-se no teto.

Enchentes e desmoronamentos desabrigaram grande quantidade de munícipes naquele ano e o governo recém-iniciado de Flávio Chaves já acumulava sérios problemas. No início de fevereiro, a represa de Itupararanga subiu assustadoramente. No mesmo mês, o rio Sorocaba transbordou a atingiu diversas casas instaladas na Marginal. Barreiras caíram e prejudicaram os trens da Fepasa. Pessoas que tiveram suas casas atingidas por inundações tiveram isenção de impostos e a Minercal iniciou um trabalho de limpeza no rio Sorocaba. Semanas depois, casas no Éden foram alagadas, bem como a estrada que liga Sorocaba a Itu.

Em março, as chuvas continuaram a castigar Sorocaba e a Prefeitura chegou a criar “equipes de elite” para prevenir enchentes. Junho começou com muitas inundações, com interdição de rodovias e linhas da Fepasa.

Com a abertura das comportas da represa de Itupararanga, centenas de casas em Sorocaba e Votorantim foram inundadas. Adutoras do Saae foram obstruídas por conta da chuva, prejudicando o abastecimento de água na cidade. No fim do ano, as chuvas derrubam muros e voltaram a inundar casas no Éden, enquanto casos de leptosprose preocupavam moradores da Vila Hortênsia. Para encerrar o ano, ventos varreram a cidade e provocaram destruição.

Não é de hoje que Sorocaba enfrenta problemas relacionados ao desabastecimento de água. Em 1982, moradores se juntaram e foram num caminhão até a sede do Saae para protestar. Confira a reportagem